Archives par mot-clé : O GUARDADOR DE REBANHOS

LE GARDEUR DE TROUPEAU PESSOA XXXVIII Li hoje quase duas páginas

Poème XXXVIII
Li hoje quase duas paginas
 
Poème de Fernando Pessoa
O Guardador de Rebanhos – Le Gardeur de Troupeaux




Traduction – Texte Bilingue
tradução – texto bilíngüe

Traduction Jacky Lavauzelle


LITTERATURE PORTUGAISE
POESIE PORTUGAISE

Literatura Português

FERNANDO PESSOA
1888-1935
Fernando Pesso Literatura Português Poesia e Prosa Poésie et Prose Artgitato

 




Poema XXXVIII
Poema de Fernando Pessoa
por Alberto Caeiro
O GUARDADOR DE REBANHOS

Poème XXXVIII
Poème de Fernando Pessoa
Alberto Caeiro
LE GARDEUR DE TROUPEAUX

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Li hoje quase duas páginas

Li hoje quase duas páginas
Je viens de lire maintenant près de deux pages
Do livro dum poeta místico,
Du livre d’un poète mystique,
E ri como quem tem chorado muito.
Et j’ai ri comme celui qui a tellement pleuré.

Os poetas místicos são filósofos doentes,
Les poètes mystiques sont des philosophes malades,
E os filósofos são homens doidos.
Et les philosophes sont des hommes fous.

Porque os poetas místicos dizem que as flores sentem
Car les poètes mystiques disent que les fleurs ont du sentiment
E dizem que as pedras têm alma
Ils disent que les pierres ont une âme
  E que os rios têm êxtases ao luar.
Et que les rivières ont des extases au clair de lune.

Mas flores, se sentissem, não eram flores,
Mais les fleurs, si elles sentaient, ne seraient pas des fleurs,
Eram gente;
Mais des personnes ;
E se as pedras tivessem alma, eram cousas vivas, não eram pedras;
Et si les pierres avaient une âme, ce seraient des choses vivantes, non des pierres ;
E se os rios tivessem êxtases ao luar,
Et si les rivières avaient des extases au clair de lune,
Os rios seriam homens doentes.
Les rivières seraient des hommes malades.

É preciso não saber o que são flores e pedras e rios
Ils ne doivent pas savoir ce que sont des fleurs, les pierres et des rivières
Para falar dos sentimentos deles.
Pour parler de leurs sentiments.
Falar da alma das pedras, das flores, dos rios,
En parlant de l’âme des pierres, des fleurs, des rivières,
É falar de si próprio e dos seus falsos pensamentos.
C’est parler de soi-même et de ses fausses pensées.
Graças a Deus que as pedras são só pedras,
Dieu merci, les pierres ne sont que des pierres,
E que os rios não são senão rios,
Et les rivières ne sont que des rivières,
 E que as flores são apenas flores.
Et les fleurs ne sont que des fleurs.

Por mim, escrevo a prosa dos meus versos
Moi, j’écris la prose de mes vers
E fico contente,
Et je suis heureux,
Porque sei que compreendo a Natureza por fora;
Car je sais que je comprends la Nature par le dehors ;
E não a compreendo por dentro
Et non de l’intérieur
  Porque a Natureza não tem dentro;
Car la nature n’a pas d’intérieur ;
Senão não era a Natureza.
Sinon, elle ne serait pas la Nature.

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prim. publicação Athéna
nº 4
Lisboa
Jan. 1925

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Li hoje quase duas páginas

FERNANDO PESSOA POEMA XXXVII Como um grande borrão de fogo sujo

Poème XXXVII
Como um grande borrão de fogo sujo
 
Poème de Fernando Pessoa
O Guardador de Rebanhos – Le Gardeur de Troupeaux




Traduction – Texte Bilingue
tradução – texto bilíngüe

Traduction Jacky Lavauzelle


LITTERATURE PORTUGAISE
POESIE PORTUGAISE

Literatura Português

FERNANDO PESSOA
1888-1935
Fernando Pesso Literatura Português Poesia e Prosa Poésie et Prose Artgitato

 




Poema XXXVII
Poema de Fernando Pessoa
por Alberto Caeiro
O GUARDADOR DE REBANHOS

Poème XXXVII
Poème de Fernando Pessoa
Alberto Caeiro
LE GARDEUR DE TROUPEAUX

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Como um grande borrão de fogo sujo
Comme une grande traînée de feu sale
 O sol posto demora-se nas nuvens que ficam.
Le soleil couchant persiste dans les nuages qui subsistent.
Vem um silvo vago de longe na tarde muito calma.
Vient un sifflement vague au loin dans un après-midi tranquille.
Deve ser dum comboio longínquo.
Ce doit être un train lointain.

Neste momento vem-me uma vaga saudade
A ce moment, me vient une vague mélancolie
E um vago desejo plácido
Et une vague de désir placide
Que aparece e desaparece.
Qui apparaît et disparaît.

Também às vezes, à flor dos ribeiros,
Aussi parfois, à fleur de ruisseau,
Formam-se bolhas na água
Les bulles se forment dans l’eau
Que nascem e se desmancham
Qui naissent et se désagrègent.
E não têm sentido nenhum
Et n’ont aucun sens
 Salvo serem bolhas de água
À moins que d’être des bulles d’eau
  Que nascem e se desmancham.
Qui naissent et se désagrègent.

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Como um grande borrão de fogo sujo

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prim. publicação Athéna
nº 4
Lisboa
Jan. 1925

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Como um grande borrão de fogo sujo

Se quiserem que eu tenha um misticismo FERNANDO PESSOA POEMA XXX

Poème XXX
Se quiserem que eu tenha um misticismo
 
Poème de Fernando Pessoa
O Guardador de Rebanhos – Le Gardeur de Troupeaux




Traduction – Texte Bilingue
tradução – texto bilíngüe

Traduction Jacky Lavauzelle


LITTERATURE PORTUGAISE
POESIE PORTUGAISE

Literatura Português

FERNANDO PESSOA
1888-1935
Fernando Pesso Literatura Português Poesia e Prosa Poésie et Prose Artgitato

 




Poema XXX
Poema de Fernando Pessoa
por Alberto Caeiro
O GUARDADOR DE REBANHOS
Se quiserem que eu tenha um misticismo

Poème XXX
Poème de Fernando Pessoa
Alberto Caeiro
LE GARDEUR DE TROUPEAUX

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Se quiserem que eu tenha um misticismo, está bem, tenho-o.
Si vous voulez que j’aie un mysticisme, d’accord, je l’ai.
  Sou místico, mas só com o corpo.
Je suis un mystique, mais seulement avec le corps.
 A minha alma é simples e não pensa.
Mon âme est simple et ne pense pas.

O meu misticismo é não querer saber.
Mon mysticisme est de ne pas vouloir savoir.
É viver e não pensar nisso.
Il est de vivre et de ne pas penser à cela.

Não sei o que é a Natureza: canto-a.
Je ne sais pas ce qu’est la Nature : je la chante.
Vivo no cimo dum outeiro
Je vis sur une colline
Numa casa caiada e sozinha,
Dans une maison blanchie à la chaux et seul,
E essa é a minha definição.
Voilà ma définition.

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prim. publicação Athéna
nº 4
Lisboa
Jan. 1925

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Se quiserem que eu tenha um misticismo

FERNANDO PESSOA Às vezes em dias de luz perfeita e exata POEMA XXVI LA LUMIERE PARFAITE

Poème XXVI
Às vezes em dias de luz perfeita e exata
LA LUMIERE PARFAITE
 
Poème de Fernando Pessoa
O Guardador de Rebanhos – Le Gardeur de Troupeaux




Traduction – Texte Bilingue
tradução – texto bilíngüe

Traduction Jacky Lavauzelle


LITTERATURE PORTUGAISE
POESIE PORTUGAISE

Literatura Português

FERNANDO PESSOA
1888-1935
Fernando Pesso Literatura Português Poesia e Prosa Poésie et Prose Artgitato

 




Poema XXVI
Poema de Fernando Pessoa
por Alberto Caeiro
O GUARDADOR DE REBANHOS
Às vezes em dias 

Poème XXVI
Poème de Fernando Pessoa
Alberto Caeiro
LE GARDEUR DE TROUPEAUX
LA LUMIERE PARFAITE

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Às vezes, em dias de luz perfeita e exata,
Parfois, pendant les jours de lumière parfaite et exacte,
Em que as cousas têm toda a realidade que podem ter,
Là où les choses ont toute la réalité qu’elles peuvent avoir,
Pergunto a mim próprio devagar
Je me demande à moi-même lentement
Por que sequer atribuo eu
Pourquoi j’attribue
Beleza às cousas.
De la beauté à des choses.

Uma flor acaso tem beleza?
Une fleur a-t-elle de la beauté par hasard ?
Tem beleza acaso um fruto?
Par hasard, un fruit a-t-il de la beauté ?
Não: têm cor e forma
Non : ils ont la couleur et la forme
E existência apenas.
Et de l’existence seulement.
A beleza é o nome de qualquer cousa que não existe
La beauté est le nom d’une chose qui n’existe pas
Que eu dou às cousas em troca do agrado que me dão.
Que je donne aux choses en échange du plaisir qu’elles me donnent.
Não significa nada.
Cela ne signifie rien.
Então por que digo eu das cousas: são belas?
Alors, pourquoi dis-je des choses : elles sont belles ?

Sim, mesmo a mim, que vivo só de viver,
Oui, de même pour moi, qui vis juste de vivre,
Invisíveis, vêm ter comigo as mentiras dos homens
Invisibles, viennent à moi les mensonges des hommes
Perante as cousas,
Face aux choses,
Perante as cousas que simplesmente existem.
Face aux choses qui existent simplement.

Que difícil ser próprio e não ver senão o visível!
Que c’est difficile d’être soi-même et de ne voir que le visible !

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prim. publicação Athéna
nº 4
Lisboa
Jan. 1925

FERNANDO PESSOA Le Gardeur de Troupeaux POEMA XLIX Meto-me para dentro e fecho a janela

Poème XLIX
Meto-me para dentro
 
Poème de Fernando Pessoa
O Guardador de Rebanhos – Le Gardeur de Troupeaux




Traduction – Texte Bilingue
tradução – texto bilíngüe

Traduction Jacky Lavauzelle


LITTERATURE PORTUGAISE
POESIE PORTUGAISE

Literatura Português

FERNANDO PESSOA
1888-1935
Fernando Pesso Literatura Português Poesia e Prosa Poésie et Prose Artgitato

 




Poema XLIX
Poema de Fernando Pessoa
por Alberto Caeiro
O GUARDADOR DE REBANHOS
Meto-me para dentro 

Poème XLIX
Poème de Fernando Pessoa
Alberto Caeiro
LE GARDEUR DE TROUPEAUX

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Meto-me para dentro, e fecho a janela.
Je rentre à l’intérieur, et ferme la fenêtre.
Trazem o candeeiro e dão as boas noites,
On me porte le chandelier, me souhaitant bonne nuit,
E a minha voz contente dá as boas noites.
Et ma voix contente répond à son tour bonne nuit.
Oxalá a minha vida seja sempre isto:
Oh que ma vie soit toujours ainsi :
O dia cheio de sol, ou suave de chuva,
La journée pleine de soleil ou par une pluie adoucie,
Ou tempestuoso como se acabasse o Mundo,
Ou orageuse comme si le Monde finissait,

A tarde suave e os ranchos que passam
L’après-midi doux et les métayers qui passent
Fitados com interesse da janela,
Scrutés avec intérêt de la fenêtre,
O último olhar amigo dado ao sossego das árvores,
Le dernier regard amical donné à la quiétude des arbres,
E depois, fechada a janela, o candeeiro aceso,
Et puis, fenêtre fermée, chandelier allumé,
  Sem ler nada, nem pensar em nada, nem dormir,
Sans ne rien lire, ni penser à rien, ni dormir,
  Sentir a vida correr por mim como um rio por seu leito.
Sentir la vie courir en moi comme une rivière dans son lit.
E lá fora um grande silêncio como um deus que dorme.
Et il y eût dehors un grand silence comme un dieu qui dort.

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prim. publicação Athéna
nº 4
Lisboa
Jan. 1925

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 Meto-me para dentro

FERNANDO PESSOA POEMA XLV Um renque de árvores Une rangée d’arbres

Poème XLV
Um renque de árvores
 
Poème de Fernando Pessoa
O Guardador de Rebanhos – Le Gardeur de Troupeaux




Traduction – Texte Bilingue
tradução – texto bilíngüe

Traduction Jacky Lavauzelle


LITTERATURE PORTUGAISE
POESIE PORTUGAISE

Literatura Português

FERNANDO PESSOA
1888-1935
Fernando Pesso Literatura Português Poesia e Prosa Poésie et Prose Artgitato

 




Poema XLV
Poema de Fernando Pessoa
por Alberto Caeiro
O GUARDADOR DE REBANHOS
Um renque de árvores 

Poème XLV
Poème de Fernando Pessoa
Alberto Caeiro
LE GARDEUR DE TROUPEAUX
Une Rangée d’arbres

****

Um renque de árvores lá longe, lá para a encosta.
Une rangée d’arbres au loin, là-bas vers la colline.
Mas o que é um renque de árvores? Há árvores apenas.
Mais qu’est-ce qu’une rangée d’arbres ? Il n’y a que des arbres.
Renque e o plural árvores não são cousas, são nomes.
Une rangée et le pluriel arbres ne sont pas des choses mais des noms.

Tristes das almas humanas, que põem tudo em ordem,
Tristes âmes humaines, qui mettent tout en ordre,
Que traçam linhas de cousa a cousa,
Qui tracent des lignes entre les choses,
Que põem letreiros com nomes nas árvores absolutamente reais,
Qui mettent des écriteaux avec des noms sur des arbres absolument réels,
E desenham paralelos de latitude e longitude
Et ils établissent des parallèles de latitude et de longitude
  Sobre a própria terra inocente e mais verde e florida do que isso!
Sur la propre terre innocente et plus verte et plus fleurie que tout ça !

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prim. publicação Athéna
nº 4
Lisboa
Jan. 1925

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Um renque de árvores

FERNANDO PESSOA Le Gardeur de Troupeaux O vôo da ave – POEMA XLIII

Poème XLIII
o vôo da ave
 
Poème de Fernando Pessoa
O Guardador de Rebanhos – Le Gardeur de Troupeaux




Traduction – Texte Bilingue
tradução – texto bilíngüe

Traduction Jacky Lavauzelle


LITTERATURE PORTUGAISE
POESIE PORTUGAISE

Literatura Português

FERNANDO PESSOA
1888-1935
Fernando Pesso Literatura Português Poesia e Prosa Poésie et Prose Artgitato

 




Poema XLIII
Poema de Fernando Pessoa
por Alberto Caeiro
O GUARDADOR DE REBANHOS
o vôo da ave

Poème XLIII
Poème de Fernando Pessoa
Alberto Caeiro
LE GARDEUR DE TROUPEAUX
LE VOL DE L’OISEAU

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Antes o vôo da ave, que passa e não deixa rasto,
Je préfère le vol de l’oiseau qui passe et ne laisse aucune trace,
Que a passagem do animal, que fica lembrada no chão.
Que le passage de l’animal dont le sol garde l’empreinte.
 A ave passa e esquece, e assim deve ser.
L’oiseau va et disparaît, et ainsi cela doit-il être.
 O animal, onde já não está e por isso de nada serve,
L’animal, qui n’est plus donc qui ne sert à rien,
Mostra que já esteve, o que não serve para nada
Montre qu’il a été, ce qui ne sert à rien.

A recordação é uma traição à Natureza,
La mémoire est une trahison à la Nature,
Porque a Natureza de ontem não é Natureza.
Car la Nature d’hier n’est pas la Nature.
O que foi não é nada, e lembrar é não ver.
Ce qui a été n’est plus rien, et se rappeler est ne pas voir.

Passa, ave, passa, e ensina-me a passar!
Passe, oiseau, passe et enseigne-moi à passer!

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prim. publicação Athéna
nº 4
Lisboa
Jan. 1925

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o vôo da ave

FERNANDO PESSOA XLII Passou A Diligência pela estrada – La DILIGENCE

Poème XLII
AS BARBOLETAS
 
Poème de Fernando Pessoa
O Guardador de Rebanhos – Le Gardeur de Troupeaux




Traduction – Texte Bilingue
tradução – texto bilíngüe

Traduction Jacky Lavauzelle


LITTERATURE PORTUGAISE
POESIE PORTUGAISE

Literatura Português

FERNANDO PESSOA
1888-1935
Fernando Pesso Literatura Português Poesia e Prosa Poésie et Prose Artgitato

 




Poema XLII
Poema de Fernando Pessoa
por Alberto Caeiro
O GUARDADOR DE REBANHOS
Passou a diligência

Poème XLII
Poème de Fernando Pessoa
Alberto Caeiro
LE GARDEUR DE TROUPEAUX
LA DILIGENCE

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Passou a diligência pela estrada, e foi-se;
Elle est passée la diligence sur la route, et s’en est allée ;
E a estrada não ficou mais bela, nem sequer mais feia.
Et la route ne s’est trouvée ni plus belle, ni encore plus laide.
Assim é a ação humana pelo mundo fora.
Ainsi est l’activité humaine dans le monde.
Nada tiramos e nada pomos; passamos e esquecemos;
Nous ne retirons rien et nous n’ajoutons rien ; Nous passons et nous disparaissons ;
E o sol é sempre pontual todos os dias.
Et le soleil est toujours ponctuel tous les jours.

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prim. publicação Athéna
nº 4
Lisboa
Jan. 1925

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Passou a diligência

PESSOA Le Gardeur de Troupeaux XL O GUARDADOR DE REBANHOS As Borboletas Les Papillons

Poème XL
AS BARBOLETAS
 
Poème de Fernando Pessoa
O Guardador de Rebanhos – Le Gardeur de Troupeaux




Traduction – Texte Bilingue
tradução – texto bilíngüe

Traduction Jacky Lavauzelle


LITTERATURE PORTUGAISE
POESIE PORTUGAISE

Literatura Português

FERNANDO PESSOA
1888-1935
Fernando Pesso Literatura Português Poesia e Prosa Poésie et Prose Artgitato

 




Poema XL
Poema de Fernando Pessoa
por Alberto Caeiro
O GUARDADOR DE REBANHOS

Poème XL
Poème de Fernando Pessoa
Alberto Caeiro
LE GARDEUR DE TROUPEAUX

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AS BARBOLETAS

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Passa uma borboleta por diante de mim
Passe un papillon devant moi
  E pela primeira vez no Universo eu reparo
Et pour la première fois dans l’Univers je remarque
Que as borboletas não têm cor nem movimento,
Que les papillons n’ont ni couleur ni mouvement,
Assim como as flores não têm perfume nem cor.
Comme les fleurs n’ont ni parfum ni couleur.
 A cor é que tem cor nas asas da borboleta,
La couleur se trouve sur la couleur des ailes de papillon,
 No movimento da borboleta o movimento é que se move,
Dans le mouvement du papillon c’est le mouvement qui se déplace,
O perfume é que tem perfume no perfume da flor.
C’est le parfum qui a du parfum dans le parfum de la fleur.
A borboleta é apenas borboleta
Le papillon est seulement papillon
E a flor é apenas flor.
Et la fleur est juste fleur.

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prim. publicação Athéna
nº 4
Lisboa
Jan. 1925

FERNANDO PESSOA Le Gardeur de Troupeaux XXXV O GUARDADOR DE REBANHOS

Poème XXXV
 
Poème de Fernando Pessoa
O Guardador de Rebanhos – Le Gardeur de Troupeaux




Traduction – Texte Bilingue
tradução – texto bilíngüe

Traduction Jacky Lavauzelle


LITTERATURE PORTUGAISE
POESIE PORTUGAISE

Literatura Português

FERNANDO PESSOA
1888-1935
Fernando Pesso Literatura Português Poesia e Prosa Poésie et Prose Artgitato

 




Poema XXXV
Poema de Fernando Pessoa
por Alberto Caeiro
O GUARDADOR DE REBANHOS

Poème XXXV
Poème de Fernando Pessoa
Alberto Caeiro
LE GARDEUR DE TROUPEAUX

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O luar através dos altos ramos,
Le clair de lune à travers les hautes branches,
Dizem os poetas todos que ele é mais
Les poètes disent tous qu’il est plus
Que o luar através dos altos ramos.
Que le clair de lune à travers les hautes branches.

*

Mas para mim, que não sei o que penso,
Mais pour moi, qui ne sais pas ce que je pense,
O que o luar através dos altos ramos
Ce qu’est le clair de lune à travers les hautes branches
É, além de ser
En plus d’être
O luar através dos altos ramos,
Le clair de lune à travers les hautes branches,
É não ser mais
N’est pas plus
Que o luar através dos altos ramos.
Que le clair de lune à travers les hautes branches.

*****

prim. publicação Athéna
nº 4
Lisboa
Jan. 1925