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O QUE É A METAFÍSICA? Fernando Pessoa Traduction Française

O que é a Metafisica ?
LITTERATURE PORTUGAISE
Literatura Português
Poésie Portugaise- poesia português
FERNANDO PESSOA
1888-1935
 

Álvaro de Campos
(Heterónimo de Fernando Pessoa
Hétéronyme de Pessoa)

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O QUE É A METAFÍSICA Fernando Pessoa Artgitato Traduction Française


 O QUE É A METAFÍSICA?
Qu’est-ce que la métaphysique ?

1924

 

Na opinião de Fernando Pessoa, expressa no ensaio «Athena», a filosofia — isto é, a metafísica — não é uma ciência, mas uma arte. Não creio que assim seja. Parece‑me que Fernando Pessoa confunde o que a arte é com o que a ciência não é. Ora o que não é ciência, nem por isso é necessariamente arte: é simplesmente não‑ciência. Pensa Fernando Pessoa, naturalmente, que como a metafísica não chega, nem aparentemente pode chegar, a uma conclusão verificável, não é uma ciência. Esquece que o que define uma actividade é o seu fim; e o fim da metafísica é idêntico ao da ciência — conhecer factos, e não ao da arte — substituir factos. As ciências realizam esse fim de conhecer factos — realizam‑no umas mais, outras menos — porque os factos que pretendem conhecer são definidos. Mas, antes de conhecidos, todos os factos são in‑definidos; e toda a ciência, em relação a eles, está no estado da metafísica. Por isso chamarei à metafísica, não uma arte, mas uma ciência virtual, pois que tende para conhecer e ainda não conhece. Se ficará sempre virtual, se o não ficará; se há outro «plano» ou vida em que deixe de ser virtual — são coisas que nem eu nem Fernando Pessoa sabemos, porque verdadeiramente não sabemos nada.
De l’avis de Fernando Pessoa, exprimé dans l’essai «Athena», la philosophie – autrement-dit la métaphysique – n’est pas une science, mais un art. Je ne le pense pas. Il semble que Fernando Pessoa confonde ce que l’art est avec ce que la science n’est pas. Maintenant, ce qui n’est pas de la science, n’est pas forcément de l’art : c’est tout simplement de la non-science. Fernando Pessoa pense, bien sûr, que la métaphysique ne pouvant apparemment se rendre à une conclusion vérifiable, ne peut donc pas être une science. Il en oublie que ce qui définit une activité : c’est sa fin ; et la fin de la métaphysique est identique à la fin de la science – la connaissance des faits, et non à fin de l’art – qui remplace les faits. Les sciences cherchent à connaître les faits – plus ou moins- parce que les faits qu’ils ont l’intention de rencontrer sont définis. Mais avant d’être connus, tous les faits sont in-définis ; et toute la science, en relation à eux,  est dans le même état que la métaphysique. Je dis donc : la métaphysique, n’est pas un art, mais une science virtuelle, car elle tend à connaître mais ne sait pas encore. Sera t-elle toujours virtuelle ? Y a-t-il un autre «plan» ou une autre vie sans qu’elle cesse d’être virtuelle ? – ce sont des choses que ni moi ni Fernando Pessoa ne savons , parce que vraiment nous ne savons rien !

Repare Fernando Pessoa que a sociologia é uma ciência tão virtual como a metafísica. A que conclusão, escassa que seja, se chegou já em sociologia? Positivamente, a nenhuma. Um congresso de sociologia, ocupando‑se de ao menos definir essa ciência, não o conseguiu. A política moderna é tão complicadamente confusa porque o espírito moderno obriga‑nos (talvez sem razão) a buscar uma ciência para tudo, e, como aqui não temos uma ciência mas só a preocupação de a ter, cada um toma por absoluta a sociologia relativa, isto é, nula, que inventou ou que, mais ou menos estropiadamente, assimilou de outro que também do assunto não sabia nada. Compare Fernando Pessoa as discussões dos escolásticos com, sobretudo, as dos socialistas, comunistas e anarquistas modernos. É o mesmo especulativismo de manicómio, ressalvando que os escolásticos eram subtis, disciplinados no raciocínio e inofensivos, e os modernos «avançados» (como a si próprios se chamam, como se houvesse «avanço» onde não há ciência) são estúpidos, confusos e, dada a pseudo‑semicultura da época, incómodos. Discutir quantos anjos podem convenientemente fixar‑se na ponta de uma agulha, pode ser improfícuo — e é com certeza mais engraçado — que discutir qual será ou deve ser o regime humanitário (e porque não anti‑humanitário?) e equitativo (e porque não mais injusto e desigual do que o presente?) em que viverá a humanidade futura (e que sabemos nós, que ignoramos toda e qualquer lei sociológica, que desconhecemos portanto, mesmo sob a acção delas, quais são as forças naturais que actualmente nos regem e arrastam e para onde, o que será a humanidade futura, o que quererá — pois pode não querer para si o que qualquer de nós quer para ela —, ou mesmo se haverá humanidade futura, ou um cataclismo destruidor da terra, e da nossa sociologia ainda incompleta, e dos humanitarismos de bizantinos que não sabem ler?).
Je fais remarquer à Fernando Pessoa que la sociologie est une science virtuelle comme la métaphysique. Quelle conclusion, si petite soit-elle, a déjà été atteinte en sociologie ? Positivement : pas une ! Un congrès de la sociologie, qui prenait grand soin de définir au moins cette science, n’y est absolument pas parvenu . La politique moderne est  confuse, car l’esprit moderne nous oblige (peut-être à tort) à trouver une science pour tout, et que nous ne disposons pas, en fait, ici, d’une science ; nous avons seulement le souci d’en avoir une ; nous prenons la sociologie relative comme un absolu, c’est à dire nulle,  inventée et transformée par d’autres qui ne connaissaient également rien de la question. Que Fernando Pessoa compare les discussions des scolastiques, en particulier aux discussions des socialistes, des communistes et des anarchistes modernes : les mêmes spéculations alambiquées ; en soulignant toutefois que les scolastiques étaient, eux, subtils, avec un raisonnement discipliné et inoffensif, alors que les «progressistes» modernes (comme ils se nomment, comme si nous avions du «progrès» là où il n’y a pas de science) sont stupides, confus et compte tenu de la pseudo-semi-culture du temps, sans tracas. Nous pouvons longtemps discutez combien d’anges peuvent être commodément fixés à la pointe d’une aiguille : c’est peut être inutile – mais au moins c’est plus drôle  – que de discuter de ce qui sera ou ce que devrait être l’humanitarisme et l’équité  (et pourquoi pas anti-humanitaire?) (et pourquoi pas plus injuste et inégal que celui présent ?) dans lequel l’humanité vivra dans l’avenir (et nous savons que nous ignorons toute loi sociologique ; nous ne savons même pas, même sous l’action d’entre eux, ce que sont les forces de la nature qui nous gouvernent actuellement et où sera la future humanité,  ou même s’il y aura une humanité future ou un cataclysme destructeur de la terre et destructeur de notre sociologie encore incomplète et de ces humanitarismes byzantins qui ne savent même pas lire ?).

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Repare ainda Fernando Pessoa no facto — que aliás cita em outra conexão — de que a ciência tende para ser matemática à medida que se aperfeiçoa para reduzir tudo a fórmulas «abstractas», precisas, onde é máxima a libertação das «equações pessoais», isto é, dos erros de observação e coordenação produzidos pela falibilidade dos sentidos e do entendimento do observador ( 1). Ora «fórmulas abstractas» é justamente o que a metafísica procura. E a matemática, nos seus níveis «superiores», confina com a metafísica, ou, pelo menos, com ideias metafísicas. Tudo isto não quer dizer, é certo, que a metafísica venha a ser mais que uma ciência virtual, ou que não venha a ser mais. Quer dizer apenas que ela é efectivamente, não uma arte, mas uma ciência virtual.
Je dis également à Fernando Pessoa qu’il mentionne d’ailleurs, dans un autre contexte que la science tend à être mathématique quand elle se perfectionne en réduisant tout à des formules « abstraites », précises, où la libération maximum des « équations personnelles » s’opèrent, que ce sont les erreurs d’observation et de coordination produites par la faillibilité des sens et la compréhension de l’observateur. Maintenant ces «formules abstraites» sont précisément celles  que recherche la métaphysique. Et le calcul à des niveaux «les plus élevés», bute contre la métaphysique, ou au moins sur des idées métaphysiques. Tout cela ne signifie pas, bien sûr, que la métaphysique serait plus qu’une science virtuelle, ou ne serait pas plus. Je veux dire seulement qu’elle n’est en fait pas un art, mais bien une science virtuelle.
Pasmarão talvez destas considerações os que leram o meu Ultimatum, no «Portugal Futurista» (1917). Nesse Ultimatum lê‑se sobre a filosofia uma opinião que parece, salvo que a precedeu, exactamente a mesma que a de Fernando Pessoa. Não é bem assim. A conclusão prática pode ser realmente idêntica, mas a conclusão teórica, que é a prática para uma teoria, é diferente.
Peut-être seront étonnés par ces considérations ceux qui ont lu mon Ultimatum, dans le « Portugal Futur « (1917). Dans cet Ultimatum on peut lire sur la philosophie une opinion qui semble, à l’exception qu’elle l’a précédée, exactement la même que celle de Fernando Pessoa. Pas tout à fait. La conclusion pratique peut paraître  effectivement identique, mais la conclusion théorique, qui est la pratique de la théorie, en est toute autre.

A minha teoria, em resumo, era que: 1.° — se deve substituir a filosofia por filosofias, isto é, mudar de metafísica como de camisa, substituindo à metafísica procura da verdade, a metafísica procura da emoção e do interesse; e que 2.º — se deve substituir a metafísica pela ciência.
Ma théorie, en bref, est que:
primo : vous devez remplacer la philosophie par les philosophies, ce qui revient à changer de métaphysique comme chemise, en remplacent la recherche métaphysique de la vérité par la métaphysique comme recherche de l’émotion et de l’intérêt ;
et secundo : la métaphysique devrait être remplacée par la science.

É fácil de ver como esta teoria, tendo na prática quase os mesmos resultados que o pensamento de Fernando Pessoa, é diferente dele. Não rejeito a metafísica, rejeito as ciências virtuais todas, isto é, todas as ciências que não se aproximaram ainda do estado, vá, «matemático»; mas, para não desaproveitar essas ciências virtuais, que, porque existem, representam uma necessidade humana, faço artes delas, ou antes, proponho que se faça artes delas — da metafísica, metafísicas várias, buscando arranjar sistemas do universo coerentes e engraçados, mas sem lhes ligar intenção alguma de verdade, exactamente como em arte se descreve e expõe uma emoção interessante, sem se considerar se corresponde ou não a uma verdade objectiva de qualquer espécie.
Il est facile de voir combien cette théorie, alors qu’en pratique nous obtenons à peu près les mêmes résultats que la pensée de Fernando Pessoa, est différente de la sienne. Je ne rejette pas la métaphysique, mais je rejette toutes sciences virtuelles, toutes les sciences qui ne se rapprochent pas du stade, que nous appellerons, «mathématique» ; mais pour éviter de perdre ces sciences dites virtuelles, qui, parce qu’elles existent, représentent un besoin humain, j’en fait des arts, ou plutôt, je vous propose qu’on en fasse des arts de la métaphysique, nous aurons diverses métaphysiques, essayant d’organiser des systèmes d’univers cohérents et drôles, mais sans avoir la moindre intention de vérité, exactement comme ce qui se décrit dans l’art et qui présente une émotion intéressante, sans tenir compte si cela correspond ou non à une vérité objective d’aucune sorte.

É por esta mesma razão que substituo por artes as ciências virtuais no campo subjectivo, para não desamparar o desejo ou ambição humana que as faz existir, e exige, como todos os desejos, uma satisfação, embora ilusória, que substituo as ciências virtuais pelas ciências reais no campo objectivo.
C’est pour cette même raison que je substitue les arts par les sciences virtuelles dans le domaine subjectif, afin de ne pas abandonner le désir ou l’ambition humaine qui est à l’origine, et qui nécessite, comme chaque désir, la satisfaction, certes illusoire, que  je substitue les sciences virtuelles par les sciences réelles dans le champ objectif.

Ponhamos ainda mais a claro a discordância entre mim e Fernando Pessoa. Para ele a metafísica é essencialmente arte, e a sociologia, de que não fala, é naturalmente ciência. Para mim são, ambas e igualmente, essencialmente ciências, não o sendo porém ainda, nem talvez nunca, mas por uma razão extrínseca e não intrínseca. Proponho pois que se substituam por artes enquanto não são efectivamente ciências, o que pode ser que seja sempre, dando‑se então na prática, entre a minha teoria e a de Fernando Pessoa, aquela coincidência de efeitos que não é raro entre teorias não só diversas, mas absolutamente opostas.
Un mot encore sur ce désaccord manifeste que j’ai avec Fernando Pessoa. Pour lui, la métaphysique est essentiellement un art, et la sociologie, dont il ne parle pas, est naturellement la science. Pour moi, elles sont toutes les deux également et essentiellement des sciences, mais n’en sont pas encore, ou n’en seront peut-être jamais, mais pour une raison extrinsèque et non pour une raison intrinsèque. Je propose donc que l’on substitue ces deux-là par des arts, tant qu’elles ne sont des sciences, peut-être pour toujours. Ainsi entre ma théorie et celle de Fernando Pessoa aurons nous une coïncidence d’effets ; et ceci n’est pas rares dans les théories non seulement différentes, mais aussi celles diamétralement opposées.

Esclareço ainda mais … A metafísica pode ser uma actividade científica, mas também pode ser uma actividade artística. Como actividade científica, virtual que seja, procura conhecer; como actividade artística, procura sentir. O campo da metafísica é o abstracto e o absoluto. Ora o abstracto e o absoluto podem ser sentidos, e não só pensados, pela simples razão de que tudo pode ser, e é, sentido. O abstracto pode ser considerado, ou sentido, como não‑concreto, ou como directamente abstracto, isto é, relativamente ou absolutamente. A emonão do abstracto como não‑concreto — isto é, indefinido — é a base, ou mesmo a essência, do sentimento religioso, incluindo neste sentimento tanto a religiosidade do Além, como a religiosidade laica de uma humanidade futura, porque, desde que se forme uma visão de uma humanidade definitiva, ou de um ideal político definitivo, isto é, absoluto, sente‑se não concretamente, porque se sente em relacão à realidade concreta, mas em oposição ao «fluxo e refluxo eterno», que é a base dela. A emocão do abstracto como abstracto — isto é, definido — é a base, ou mesmo a essência, do sentimento metafísico. O sentimento metafísico e o religioso são directamente opostos, o que se vê claramente na infecundidade metafísica (a falta de grandes originalidades metafísicas) em épocas como a nossa, em que a especulação social utópica é o fenómeno marcante, e não haveria metafísica alguma se não houvesse deficiência da outra parte do espírito religioso, e aquela liberdade de pensamento que estimula toda a espécie de especulação; ou como a Idade Média, perdida na adaptação teológica de metafísicas gregas, e em cuja noite caliginosa só de vez em quando brilha metafisicamente o astro breve de uma heresia.
Précisons cela un peu plus… La métaphysique peut être une activité scientifique, mais peut également être une activité artistique. Comme science, pour virtuelle qu’elle puisse être, elle cherche à connaître ; comme activité artistique, elle cherche la sensation. Le champ de la métaphysique est l’abstrait et l’absolu. L‘abstrait absolu peut être ressenti, non seulement pensé, pour la simple raison que tout peut être, et est, de sens. L’abstrait peut être considéré, ou senti, comme non concret, ou directement comme abstrait, un abstrait relatif ou absolu. L’émotion de l’abstrait, comme négation du concret- ce qui est, non  indéfini – est la base, ou même l’essence du sentiment religieux, qui inclut ce sentiment à la fois de la religiosité de l’Ailleurs, comme la religion laïque de l’humanité future, pour aussi longtemps que se forme une vision d’une humanité définitive, ou d’un idéal politique définitif, qui est, absolu, ne se sent pas concrètement parce que nous nous sentons par rapport à la réalité concrète, mais par opposition au « flux et au reflux éternel », qui en est la base. L’émotion de l’abstrait comme abstrait – qui est, défini – est la base, ou même l’essence du sentiment métaphysique. Les sentiments métaphysique et religieux sont juste à l’opposé l’un de l’autre ; ce qui est clairement visible dans l’infertilité  métaphysique (le manque d’une grande originalité métaphysique) à une époque comme la nôtre, où la spéculation sociale utopique est le phénomène marquant ; il n’y aurait aucune sorte de métaphysique s’il n’y avait de carence d’une autre partie de l’esprit religieux, et de cette liberté de pensée qui stimule toutes sortes de spéculations ; ou comme au Moyen Age, perdu dans l’adaptation théologique de la métaphysique grecque, et dont la nuit noire ne brille parfois métaphysiquement que par les lumières de l’hérésie.

O sentimento religioso é inteiramente irracionalizável, nem pode haver teologia, ou sociologia utópica, senão por engano ou doença. O sentimento metafísico é racionalizável, como todo o sentimento de uma coisa definida, que basta tornar‑se inteiramente definida para se tornar matéria racional, ou científica. Proponho eu, simplesmente, que a matéria da metafísica, enquanto não está inteiramente definida, e portanto em estado de se pensar, e a metafísica se tornar ciência, seja ao menos sentida, e a metafísica seja arte; visto que tudo, bom ou mau, verdadeiro ou falso, tem afinal, porque existe, um direito vital a existir.
Le sentiment religieux est entièrement irrationalisable ; il ne peut y avoir de théologie, de sociologie utopique, sauf par erreur ou par maladie. Le sentiment métaphysique est rationalisable, comme tous les sentiments d’une chose certaine, qui vient de devenir entièrement une matière rationnelle ou scientifique. Je propose simplement que la matière de la métaphysique, tant qu’elle n’est pas entièrement définie, et donc dans un état de se penser, la métaphysique devenant une science, soit au moins sentie, et que la métaphysique soit de l’art ; puisque tout, bon ou mauvais, vrai ou faux, a, après tout, a le droit vital d’exister.

A minha teoria estética e social no Ultimatum resume‑se nisto: na irracionalização das actividades que não são (pelo menos ainda) racionalizáveis. Como a metafísica é uma ciência virtual, e a sociologia é outra, proponho a irracionalização de ambas — isto é, a metafísica tornada arte, o que a irracionaliza porque Ihe tira sua finalidade própria; e a sociologia tornada só a política, o que a irracionaliza porque a torna prática quando ela é teórica. Não proponho a substituição da metafísica pela religião e da sociologia pelo utopismo social, porque isso seria, não irracionalizar, mas sub‑racionalizar essas actividades, dando‑lhes, não uma finalidade diversa, mas um grau inferior da sua própria finalidade.
Mon esthétique et ma théorie sociale dans l’Ultimatum se résument à ceci : l’irrationalisation des activités qui ne sont pas (encore) rationalisables. Comme la métaphysique est une science virtuelle, et la sociologie en est une autre, je propose l’irrationalisation des deux – c’est à dire que la métaphysique se transforme en art, qui irrationalise parce qu’elle perd son propre but ; et la sociologie ne fait plus que de la politique, ce qui l’irrationalise parce qu’elle devient pratique quand elle est théorique. Je ne propose pas le substitution de la métaphysique par la religion ni la sociologie par l’utopisme social, car il ne serait pas irrationaliser, mais sous-rationaliser ces activités, leur donnant, non un but, mais un degré inférieur à leur propre finalité.

É isto, em resumo, o que defendi no meu Ultimatum. E as teorias, política e estética, inteiramente originais e novas, que proponho nessa proclamação, são, por uma razão lógica, inteiramente irracionais, exactamente como a vida.
Voici, en bref, ce que je soutenais dans mon Ultimatum. Et les théories, politiques et esthétiques, entièrement originales et nouvelles, que je vous propose dans cette proclamation sont, pour une raison logique, entièrement irrationnelles, tout comme la vie.

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Traduction Jacky Lavauzelle
ARTGITATO
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