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A PROCURA DO FADO – Jacky Lavauzelle

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 A PROCURA DO FADO
A procura do fado Jacky Lavauzelle
Photo Alfama Lisboa Jacky Lavauzelle
A PROCURA DO FADO Jacky Lavauzelle




Jacky Lavauzelle Poema
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A PROCURA DO FADO

Poema – canção
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Hoje vou procurar o Fado secreto
Como Arthur procurando por seu Graal
Nas noites de Lisboa, me disseram
Disseram-me para me perder na Aflama
Lá, eu deveria mergulhar minha alma :
Alfama fica fechado
Em quatro paredes de água
Quatro paredes de pranto
Lá eu vou sentir a Saudade
Lá eu vou entender o fado
No enorme terraço do Martim Moniz, cheio de sol
O metrô abriu como uma estranha baleia
Banhado em uma doce manhã de outono
Martim Moniz acordou com vozes desconhecidas
A luz suave iluminou a escuridão profunda do metrô
Os degraus do metrô guiaram fielmente meus passos
Sonolentos, comecei a minha jornada incerta
Uma curiosa alegria me enche de dúvida
Lá eu vou sentir a Saudade
Lá eu vou entender o fado
O rosto da Mouraria suspirou com uma incrível languidez
La Mouraria queria e esperou o que não poderia acontecer
Em um frenesi quase impassível, é possível?
Eu vaguei pelas ruas da Mouraria
Para ver se eu poderia encontrar algumas letras
Para ver se eu ouvi algumas músicas do dia anterior
Almas vencidas e Noites perdidas
Sombras bizarras Na Mouraria
Lá eu vou sentir a Saudade
Lá eu vou entender o fado
Eu ainda não encontrei nada, pobre infeliz,
Eu então subi, desapontado, pobre infeliz,
Pela estreita e sinuosa Rua dos Cavaleiros
Onde meu passo ficou triste, por quê?
Onde meu passo ficou pesado, por quê?
Eu ainda não encontrei o objeto da minha busca
Mas eu vi cartazes voluptuosos
Onde acendeu lindas fadistas inatingíveis
Lá eu vou sentir a Saudade
Lá eu vou entender o fado
Eu vi fadistas encantadores tão lindos
Que eles poderiam virar o vento mais louco
Levemente véu a luz divina
Traga Marco Polo de volta da distante Ásia
Pare Cristóvão Colombo em sua corrida
Eu vi fadistas encantadores tão lindos
Capaz de acordar os mortos enterrados
E chame como um farol uma alma perdida
Lá eu vou sentir a Saudade
Lá eu vou entender o fado
Uma harmonia estava passando
Entre as persianas semi-fechadas
Na bagunça de calçadas brancas:
Uma harmonia me abraçou carinhosamente
Não quero cantar amores,
Amores são passos perdidos
Uma harmonia me subjugou
Na bagunça de pedras brancas
Lá eu vou sentir a Saudade
Lá eu vou entender o fado
Lá em cima pensei ver a cidade
Eu acho que vi o mundo inteiro
Calçada de Santo André estava me esperando
Eu vi Graça me cobrindo com suas asas largas
E meu peito aberto, aberto enquanto
Eu ouvi meu coração bater alto
Eu escutei e escutei ainda mais
Mas meu coração ficou surdo ainda mais
Lá eu vou sentir a Saudade
Lá eu vou entender o fado
Se cantar está chorando de alegria
Se andar é acompanhar o ritmo do seu coração
Eu estava andando sobre uma dor infinita
E sobre uma esperança igualmente forte
Começando a penetrar nos primeiros
Pequenos becos de Alfama que serpenteavam
Uma oração veio ao meu coração
Eu cantei uma queixa feliz e triste
Aqui, a Saudade me tocou
Aqui, ouvi o coração do Fado
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 A PROCURA DO FADOA PROCURA DO FADO Jacky Lavauzelle




Jacky Lavauzelle Poema

Você é assim! – Jacky Lavauzelle

Você é assim!

Você é assim! - Jacky Lavauzelle

*Você é assim! Jacky Lavauzelle





Jacky Lavauzelle Poema

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VOCÊ E ASSIM !


Poema – Canção

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Você é assim!
Eu sou seu convidado
Quando você diz sim
Você me diz não
Mas às vezes sim
Eu sou seu brinquedo
É de acordo com
Cada vez mais
Eu não sei mais
Eu sou mulher
Se você é um homem
E eu sou um homem
Se você é mulher
Às vezes ambos
É de acordo com
É como você quer
Voce me diz
O hábito é um veneno
O pior de tudo
Você me diz
Voce me diz
Que o hábito é um veneno
O pior de tudo
Você me diz
Mas você me diz
Que tudo pode ser esquecido
De acordo com o desejo
De seus desejos
É de acordo com
Você é contra
Por princípio
Até contra mim
Especialmente assim
É assim
Quando te beijo
Você está gritando
Você me trata
Como um ladrão
Dos seus beijos
Dos seus beijos
Mas se alguma vez
Um dia
Eu esqueço
Você me trata
Como um bastardo
É assim
De me dizer
Que você é sensível
Colando um tapa ou dois
É de acordo com
A ideia de uma carícia
isso te faz preguiçoso
É complicado
É de acordo com
Mas se eu esquecer
O beijo da noite
Eu sou apenas um cara pobre
O pior de todos os bastardos
Mas eu sei que há pior
Não maior
Não mais bonito
É de acordo com
Você está de mau humor
Por algumas horas
É assim
Eu escolhi você
Quando você me guiar
Para ouvir um concerto
O que você escolheu
Eu nunca me movo
Como é preciso
Eu fiquei
Você me diz
Eu não sou música
Eu não sinto isso
Como é preciso
Você me diz
À meia-noite
Você me leva
Para o abraço
À meia-noite
É como um banho
Sem água
Com bocas
E mãos
É assim
Você me diz
Se foi pior
Ou requintado
É assim
Eu sou sua lenda
Ou o seu pobre rapaz
É como
Eu não sei
Não mais
Para te fazer
Um bebê
Mas você
Está grávida
O vizinho não é um lenda
Nem patife
É o pai
Você me diz
Beijando o barman
No balcão
Eu acho que
Estou cansado
Que todos esses dias
Você me pegou
Para sempre
Hoje à noite eu vou olhar
Informaçãoes
Na TV podre
Você me disse
Que o barman
Queria te apresentar
Para seus amigos
É assim
Eu chego em casa sozinho
Viva o vento
Viva o vento do inferno
É assim
É de acordo com
É minha vida
Eu o amo muito
Eu sei que ela
Não está sozinha
É melhor assim
Você é assim!

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Você é assim!

*Você é assim! Jacky Lavauzelle

Miguel Araújo : LES MARIS DES AUTRES – Os Maridos Das Outras

 

Música de Portugal
Miguel Araújo

Miguel Araujo portrait retrato image imagem


Os Maridos Das Outras
Les Maris des autres

Tout le monde sait que les hommes sont grossiers
Qu’ils laissent des lits pas faits
Et des choses qui clochent.

Ils sont très peu rusés, très peu rusés.
Tout le monde sait que les hommes sont grossiers.

Tout le monde sait que les hommes sont moches
Ils laissent des discussions en suspens
Et des vêtements à tous les vents.

Et ils tournent autour du pot, ils tournent autour du pot.
Tout le monde sait que les hommes ne sont pas beau

Mais les maris des autres non
Car les maris des autres sont
La perfection personnifiée
La création à son plus haut sommet.

D’aimables créatures, venues tout droit de Soyouz
Qui servent à rendre épanouies les amies de l’épouse.
Et tout ce que les hommes ne sont pas…
Tout ce que les hommes ne sont pas…
Tout ce que les hommes ne sont pas…

Les maris des autres le sont
Les maris des autres le sont.

Tout le monde sait que les hommes sont des hyènes
Ils aiment des musiques que personne n’aime
Et ne nettoient jamais la table, ces nigauds.

Des bêtes remplies de haine, remplies de haine.
Tout le monde sait que les hommes sont des hyènes

Tout le monde sait que les hommes sont des vrais animaux
Qu’ils empestent le mauvais vin
Et qu’ils ne trouvent jamais le chemin.

Na na na na na na, na na na na na.
Tout le monde sait que les hommes sont des vrais animaux

Mais les maris des autres non
Car les maris des autres sont
L’incarnation de la perfection
Le summum de la création.

D’aimables créatures, venues tout droit de Soyouz
Qui servent à rendre épanouies les amies de l’épouse.
Et tout ce que les hommes ne sont pas…
Tout ce que les hommes ne sont pas…
Tout ce que les hommes ne sont pas…

Les maris des autres le sont
Les maris des autres le sont
Les maris des autres le sont.

Traduction Jacky Lavauzelle

Toda a gente sabe que os homens são brutos
Que deixam camas por fazer
E coisas por dizer.

São muito pouco astutos, muito pouco astutos.
Toda a gente sabe que os homens são brutos.

Toda a gente sabe que os homens são feios
Deixam conversas por acabar
E roupa por apanhar.

E vêm com rodeios, vêm com rodeios.
Toda a gente sabe que os homens são feios.

Mas os maridos das outras não
Porque os maridos das outras são
O arquétipo da perfeição
O pináculo da criação.

Dóceis criaturas, de outra espécie qualquer
Que servem para fazer felizes as amigas da mulher.
E tudo os que os homens não…
Tudo que os homens não…
Tudo que os homens não…